7ª Resenha Crítica: Quase Nada Para Escrever




Saudações, leitores! Hoje falarei sobre o livro Quase Nada Para Escrever, do potiguar Walter Won Berbe, publicado pelo Sebo Vermelho Edições. É uma coletânea de textos escritos nos anos 60, que foram postumamente descobertos em sua casa pela família e publicados.


Quase Nada Para Escrever é uma obra originalíssima em termos estéticos. Com manuscritos do autor, textos datilografados e desenhos reproduzidos em papel couché, o livro nos parece aqueles cadernos bem pessoais que todos nós temos, nos quais escrevemos aquilo que nos vem em mente sem maiores preocupações. Sentimos-nos sempre próximos do que está escrito. O projeto gráfico ficou impecável. Eu não mudaria coisa alguma.


Minha primeira experiência com o livro foi magnífica. Não o abri pelo início, mas uma página que estava mais aberta que as outras. Imaginei ser um cartão, pois o livro me foi um presente de aniversário, porém o que eu encontrei foi um objeto que jamais imaginei estar dentro de um livro como parte do seu texto. Causou-me riso e admiração. É um pedaço de papel higiênico no qual se lê "my song is far away".


Decerto, ao abri-lo naquela página não comecei a ler o livro de forma errada, pois ele pode ser lido em qualquer ordem sem qualquer prejuízo. São poemas, manchas de tinta, desenhos e objetos colados sem uma conexão elementar explícita. Há uma verdadeira anarquia estrutural que faz de Quase Nada Para Escrever uma verdadeira obra de arte que vai além da própria literatura. Abra-o, folheie-o, sinta e pense o que o livro tem a mostrar.


O que mais gostei foi o texto "43 perguntas sobre a pergunta que me faço diariamente sem perceber", um dos mais instigantes ensaios-poemas que já li. A primeira coisa a notar é que não são 43 perguntas. São 43 reflexões, que se agrupam em dicotomias, ditos e desditos, pares contraditórios e afirmações. E, claro, há perguntas propriamente ditas. Abaixo um trecho:


23. Eu fumo e odeio o fumo.
O fumo e o ódio são-me caros
eu alimento e mato-ME por eles.

24. O ódio me condiciona a ser um ser social.
A ser um ódio condicional, a ser um cigar
ro, um sapato.


O que menos gostei? Difícil dizer. Para a proposta do livro, nada faltou. O que não gosto é do fato de eu sempre voltar a ele para ler qualquer coisa aleatoriamente, abrindo-o em qualquer página por mera vontade de consultá-lo. Por que tem de ser tão envolvente? Isso me incomoda bastante! (De uma forma boa, claro.)


Ah, houve mais uma coisa que não gostei: não encontrei muitas informações sobre o autor, por mais que pesquisasse. O que pude colher é que Walter Won Berbe nasceu em 1944 em Maracajaú-RN. Era profundamente ligado à cultura oriental, sendo adepto do budismo, da yoga e da dieta macrobiótica. Um George Harrison norte-riograndense. Nos anos 70, se não estou equivocado, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se fixou até a sua morte em 1989.


Para adquirir o livro, entrem em contato com o Sebo Vermelho pelo e-mail sebovermelho@yahoo.com.br. Visitem também a página da Sebo Vermelho Edições.


Dedico esta postagem a Martina Farias, que há um ano me escolheu este livro como presente de aniversário. Foi um ótimo presente.


Autor: André Marinho Criação: 14/01/2012 Objetivo: www.ligadosfm.com

Comentários

Anônimo disse…
Parece mesmo ser um livro interessante. É sempre bacana quando encontramos algo diferente e que nos move de alguma forma. =D
SEBO VERMELHO disse…
Diogo..quem fala e Alexandre Oliveira. autor do projeto grafico do livro..Não conheci Walter. depois vou te passar mais informações.. elel é guru de um monte de gente das antigas, morreu muito novo, os originais do livro são inacredivelmente belos, temos outras raridades para lançar. muito obrigado mpela resenha e seu blog será anexado nos meus favoritos. ah..to publicando teu texto no blog. Ale. Natal - RN
André Marinho disse…
Olá, Alexandre. Aqui é o André Marinho, autor da resenha. Fico lisonjeado pela boa recepção do post e agradeço desde já a divulgação. Aguardo mais informações sobre o Walter, que parece ter sido um homem fascinante.